Conespi faz passeata contra os acidentes e mortes no trabalho, a reforma da Previdência e pela geração de emprego

Piracicaba registrou 5.170 acidentes de trabalho no ano passado, e 6 mortes

Para marcar o “Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho”, em 28 de abril, o Conespi (Conselho das Entidades Sindicais de Piracicaba) promove nesta sexta-feira, 26 de abril, passeata pelas ruas centrais de Piracicaba e ato público em frente à agência da Previdência Social, na rua XV de Novembro. A concentração está marcada para as 9 horas, em frente ao Mercado Municipal, de onde os dirigentes sindicais sairão em passeata pelas ruas centrais, denunciando os 5.170 acidentes registrados no ano passado, com seis mortes de trabalhadores, de acordo com dados do Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador).

O presidente do Conespi, Wagner da Silveira, o Juca, que também é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, diz que o Conespi sairá às ruas para repudiar esta situação e continuar cobrando providências das autoridades competentes e pedir apoio da população para que seja garantido ambientes seguros de trabalho. “Até porque não é justo que um trabalhador saia de sua casa para trabalhar e sofre um acidente e até perca sua vida. No ano de 2013, foram registrados 10.828 acidentes, com 10 mortes, sendo que no período destes seis anos, entre 2013 e 2018, tivemos 60 mortes, o que é inaceitável”, enfatiza.

De acordo com o Cerest ainda, em 2014 foram registrados 10.344 acidentes, enquanto que em 2015 um total de 8.779 e em 2016 foram computados 7760. Já no ano de 2017 foram registrados 7.436. Para Juca, o número de acidentes tem caído nos últimos anos, mas graças ao trabalho de cobrança dos sindicatos e dos órgãos competentes. “A nossa meta é de que um dia o trabalhador deixe sua casa para trabalhar e tenha a certeza que retornará bem, deixando de colocar sua vida em risco, como infelizmente ainda ocorre”, acrescenta.

O vice-presidente do Conespi, José Antonio Fernandes Paiva, presidente do Sindicato dos Bancários, adverte que a entidade também repudia a proposta do governo federal de realizar a reforma da Previdência, fazendo com que o homem só possa se aposentar aos 65 anos de idade e as mulheres com 62 anos. “Pela proposta do governo, para se aposentar com esta idade, o trabalhador e a trabalhadora terá que ter contribuído pelo menos por 20 anos com a Previdência Social, mas só receberá 60% do seu salário. Para receber o salário integral, terá que contribuir por 40 anos”, ressalta.

O governo fala que está quebrado e que há necessidade de realizar a reforma da Previdência Social para gerar empregos. No entanto, o Conespi argumenta que este mesmo discurso já foi feito quando propôs a reforma trabalhista, que já foi aprovada ha mais de 18 meses e não vem gerando os empregos prometidos. “Queremos que o governo cobre de quem deve para a Previdência, como os grandes empresários e banqueiros, os sonegadores, e implemente uma política de desenvolvimento econômico, isso sim gera empregos”, diz Francisco Pinto Filho, o Chico, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Papel, Papelão e Cortiça.

Para o presidente do Conespi, ainda, a proposta do governo de reformar a Previdência vai deixar a população ainda mais pobre e tem a finalidade de fazer com que o trabalhador busque a previdência privada, engordando ainda mais a conta dos bancos. “O governo fala que o trabalhador mais pobre pagará menos para a Previdência, mas irá receber muito menos, em muitos casos, menos de um salário mínimo”, acrescenta.

Vanderlei Zampaulo – MTb-20.124