Presidente do Sinticompi diz que acidentes elétricos matam duas pessoas por dia no Brasil

Dados recebidos pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Piracicaba (Sinticompi), Milton Costa, da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) revelam que no Brasil, no ano passado, 721 pessoas perderam suas vidas em acidentes de origem elétrica. “Destas, 622 mortes foram por choque elétrico, o que representa quase duas mortes por dia”, lamenta.

Para tentar mudar essa triste realidade, o presidente do Sinticompi conta que vários setores se uniram em torno de um mesmo ideal: um grande alerta para a população sobre os riscos que ela corre, seja em casa, seja trabalhando em uma obra, seja tocando em um fio na rua, são muitas as possibilidades dos acidentes acontecerem e poucas as chances para as vítimas. “A maior arma que temos e precisamos usá-la para que estes números diminuam é a informação e é isso que estamos fazendo com este alerta”, diz.

Milton Costa conta que o CEREST (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador), que promove ações para melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida do trabalhador por meio da prevenção e vigilância se uniu ao Ministério Público do Trabalho, à ABRACOPEL, às empresas distribuidoras de energia elétrica, como a CPFL, Enel-SP, Elektro e EDP, que juntas, fornecem a eletricidade para todo o Estado de São Paulo, além de sindicatos e outras entidades para criar o “Dia da Segurança com Eletricidade”.

O dia 27 de novembro, segundo o presidente do Sinticompi, será um dia de mobilização em todo o Estado de São Paulo, quando as várias entidades e empresas participantes farão diferentes ações sempre com o mesmo foco: o alerta para a segurança com a eletricidade. “O objetivo é causar um movimento em toda a sociedade e que sirva de alerta, principalmente para as autoridades sobre a importância de se falar sobre este tema”, conta.

O levantamento mostra que entre os locais de maior incidência destes acidentes, as residências se destacam, bem como a área da construção civil. Os acidentes ocorridos dentro de residências somaram 209 mortes em 2018, conforme a Abracopel. Além das mortes por choque elétrico dentro de casa, os incêndios originados por sobrecarga e/ou curtos-circuitos vêm traçando uma ascendência alarmante: em 2015 foram 441 incêndios, em 2016, o crescimento continuou com 448 casos de incêndios, 2017 registrou 451 incêndios e em 2018, o número saltou para 537. Mas o mais impressionante é que as mortes neste tipo de acidente estão crescendo ainda mais, se em 2016 e 2017 as mortes giravam em torno de 30, em 2018 subiram para 61, um aumento de 100%. Outro dado importante: cerca de 90% destas mortes ocorreram dentro de casa.

Milton Costa diz que infelizmente, na construção civil, os acidentes vitimam os profissionais deste setor: pedreiros, serventes e pintores são as maiores vítimas. Segundo a Abracopel, em 2018 ocorreram 145 acidentes envolvendo estes profissionais, sendo 63 pedreiros ou ajudantes com 37 mortes. Os pintores e ajudantes, vêm em seguida com 44 ocorrências, sendo 24 delas, fatais.

As causas destas mortes são, conforme o levantamento recebido pelo presidente do Sinticompi, na maioria das vezes por falta de uso de equipamentos de segurança, os chamados EPIs e os EPCs, e por falta de treinamento. O manuseio de ferragens dentro das obras e a falta de atenção, tocando o metal na rede aérea ainda vítima muitos profissionais. Mas existem também mortes com aqueles chamados de ‘pedreiros de final de semana’, que chamam um ou dois amigos e vão fazer aquela ‘reforminha’ em casa: um puxadinho, um acerto no telhado, enfim: o resultado, infelizmente, é o toque na rede ou o manuseio errado de equipamentos energizados e o choque, que muitas vezes, é fatal.

Vanderlei Zampaulo – MTb-20.124